No dia de hoje, o que poderia escrever
sobre Deus ou sobre o relacionamento com Ele? Hoje se comemora o Dia das
crianças, elas que, apesar de amadas em muitos lares, ainda são muito mal
tratadas, ignoradas e mal assistidas na sociedade. Isso falando das que
sobrevivem à falta de cuidado e amor.
Na nossa congregação vemos tantas
histórias de crianças que sofrem com a fome, a pobreza, falta de cuidados e
oportunidades, mas ainda assim levam consigo o sorriso fácil, a brincadeira
sempre oportuna, a simplicidade sem intenção e a esperança, contra todas as
adversidades. Às vezes nos questionamos como elas conseguem fazer isso, esquecendo-nos de
que um dia, nós também já fomos crianças, já tivemos o sorriso fácil e a
esperança no amanhã. Que pena que isso passa.
Quando criança, muitos me diziam que eu
deveria aproveitar, pois essa é a fase mais linda da nossa vida. Eu, imaturo,
não acreditava. Achava a infância difícil, agressiva, sem liberdade, sem
condições e oportunidades de fazer tudo o que se quer. Mal sabia eu do que
estava falando! Realmente, não tive uma infância daquelas, mas tudo o que eu
deveria ter, eu tive. Um sonho meu de criança era ter um barco em miniatura. Ficava
extasiado quando via barcos na televisão. Nunca pude ter um, e vejo hoje
que não precisava ter, por que a nossa família passava por necessidades muito
maiores do que um querer infantil.
Hoje, agradeço a Deus por tudo o que
passei na infância, seja bom ou ruim. As alegrias, os traumas – alguns ainda
presentes, outros facilmente superados – os ganhos, as perdas, mudanças e
conquistas, tudo fez com que eu fosse alguém melhor, e eu sei que ainda existe
um longo caminho a percorrer.
Quando converso com uma criança - coisa que eu gosto muito de fazer - lembro sempre do versículo: “E disse [Jesus]: Em verdade vos digo que, se não vos
converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no
reino dos céus.” Mateus 18:3
Jesus,
nesse versículo, não pediu que fôssemos imaturos como algumas crianças, mas
sim que fôssemos inocentes como elas, esperançosos como elas, bondosos como
elas, verdadeiros como elas. É difícil, sim, eu sei. As responsabilidades e o
peso da vida adulta fazem aquela criança ser esquecida bem lá no fundo de nós,
deixando espaço para as preocupações, tormentos e estresses do dia a dia.
Não
quero aqui cair em clichês e pedir que você traga a sua “criança interior” de
volta, por que sei que isso é impossível. Mas quero
te pedir que deixe a vida ser mais leve, sim pois, muitas vezes quando
carregamos cargas, carregamos porque queremos, sendo que podíamos muito bem não
carregá-las. Bastava olhar a vida com um olhar um pouco mais juvenil, e
permitir que a vida seja bela e rica, como o olhar inocente, esperançoso,
bondoso e verdadeiro de uma criança.
Deus abençoe a todos,

