domingo, 9 de março de 2014

Escolhe, pois, a Vida!

Passei muitos dias sem escrever, mais de um mês. A verdade é que eu queria saber como expressar com palavras, da maneira certa, tudo o que aconteceu comigo e com os que me cercam neste período, desde a última postagem (29 de janeiro) até hoje. Pode parecer exagerado, pode parecer até mesmo que eu já disse isso antes, mas o que eu vivi nesse mês que passou marcou a minha vida de uma forma muito especial. Vou tentar descrever tudo de forma sucinta.
Há alguns meses atrás uma parenta minha descobriu o câncer e iniciou o seu tratamento, encarando muitas dificuldades, tanto espirituais quanto físicas e financeiras. Nos unimos a ela em sua luta, vimos toda a sua dificuldade, a ajudamos nos momentos em que ela não podia contar com ninguém; cada parente, irmão, irmã, filhos, sobrinhos dela se tornaram um pouco médicos, enfermeiros, motoristas, psicólogos, conselheiros e o que mais ela precisasse.
Porém, a cada dia a víamos se distanciando de nós, sem saber se a veríamos voltar. Nos últimos dias ela se afastou de vez: pela perda dos movimentos em suas pernas ela teve que ser internada para continuar o tratamento. E lá ela ficou, lutando para sobreviver, agonizando pela vida, clamando ao Senhor por sua cura e libertação. E o Senhor a libertou. Mas não como queríamos, e sim como Ele quis. Ele a libertou para sempre, chamando-a para Si. No dia 5 de fevereiro de 2014 nossa tia partiu nos deixando lembranças maravilhosas e um exemplo de vida grandioso. Nunca a vimos triste, nunca a vimos reclamar da situação que passava, mas sempre encarando tudo com força de vontade e um sorriso no rosto. Ela viveu e lutou, e sua luta está marcada dentro de nós até o fim.

Dez ou doze dias depois recebi a proposta de ir para um retiro durante o carnaval com alguns irmãos da igreja. De cara disse que não queria, mas aos poucos Deus foi mudando as coisas e eu acabei indo, nem eu sei como. Naquele lugar fizemos muitas coisas, entre gincanas, competições, momentos de descontração, nada tão marcante quanto os momentos de ministração da Palavra de Deus.
Ali fomos confrontados com os nossos erros, com a capa que mantínhamos sobre os nossos pecados e que fazia com que acreditássemos que estava tudo bem, quando estava tudo errado. Ali pude ver, pela Palavra, o quanto eu estava distante de Deus, o quanto eu havia me deixado levar pelas circunstâncias, o quanto eu estava fraco espiritualmente. Deus me fez ver tudo isso de uma forma diferente de outros retiros ou encontros que eu já tinha ido. Vi tudo isso mais maduro, sabendo da minha responsabilidade e que Deus tinha me dado as armas para mudar de vida, a confiança e o conhecimento da Sua Palavra.
Encaramos, sim, muitas dificuldades ali, algumas bem pequenas, que acabavam ganhando enormes proporções. Mas sempre que vinham na minha boca palavras de murmuração, eu me lembrava da lição que eu tinha aprendido com a minha tia. Vi que não deveria só reclamar, mas aproveitar cada experiência como um aprendizado, viver intensamente aquilo que Deus havia colocado diante de mim. Lembrei também do versículo de Deuteronômio 30.19b, onde Deus nos aconselha a fazer a melhor escolha: escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência”.
As dificuldades sempre estarão ali, sempre teremos que encará-las. Mas o modo como as encaramos é escolha nossa, e o próprio Deus nos pede que encaremos pelo lado mais fácil, que é o lado bom. Os desafios, as perdas, as derrotas e até mesmo a morte serão aquilo que permitirmos que elas sejam: bênção ou maldição! Que essas coisas possam ser bênçãos na sua vida, que possam ser como uma escola onde se aprendem lições preciosas para toda a vida. Não é fácil fazer essa escolha, mas tenha certeza que os frutos dela valerão a pena na hora da colheita!

Até a próxima!

Dedico este texto à memória da minha tia, Valmira, 
e a todos os amigos queridos que encontrei no retiro! 
Deus nos abençoe!