Passei muitos dias sem escrever, mais de um
mês. A verdade é que eu queria saber como expressar com palavras, da maneira
certa, tudo o que aconteceu comigo e com os que me cercam neste período, desde
a última postagem (29 de janeiro) até hoje. Pode parecer exagerado, pode
parecer até mesmo que eu já disse isso antes, mas o que eu vivi nesse mês que
passou marcou a minha vida de uma forma muito especial. Vou tentar descrever
tudo de forma sucinta.
Há alguns meses atrás uma parenta minha descobriu
o câncer e iniciou o seu tratamento, encarando muitas dificuldades, tanto
espirituais quanto físicas e financeiras. Nos unimos a ela em sua luta, vimos
toda a sua dificuldade, a ajudamos nos momentos em que ela não podia contar com
ninguém; cada parente, irmão, irmã, filhos, sobrinhos dela se tornaram um pouco
médicos, enfermeiros, motoristas, psicólogos, conselheiros e o que mais ela
precisasse.
Porém, a cada dia a víamos se distanciando de
nós, sem saber se a veríamos voltar. Nos últimos dias ela se afastou de vez:
pela perda dos movimentos em suas pernas ela teve que ser internada para
continuar o tratamento. E lá ela ficou, lutando para sobreviver, agonizando
pela vida, clamando ao Senhor por sua cura e libertação. E o Senhor a libertou.
Mas não como queríamos, e sim como Ele quis. Ele a libertou para sempre,
chamando-a para Si. No dia 5 de fevereiro de 2014 nossa tia partiu nos deixando
lembranças maravilhosas e um exemplo de vida grandioso. Nunca a vimos triste,
nunca a vimos reclamar da situação que passava, mas sempre encarando tudo com
força de vontade e um sorriso no rosto. Ela viveu e lutou, e sua luta está
marcada dentro de nós até o fim.
Dez ou doze dias depois recebi a proposta de
ir para um retiro durante o carnaval com alguns irmãos da igreja. De cara disse
que não queria, mas aos poucos Deus foi mudando as coisas e eu acabei indo, nem
eu sei como. Naquele lugar fizemos muitas coisas, entre gincanas, competições,
momentos de descontração, nada tão marcante quanto os momentos de ministração
da Palavra de Deus.
Ali fomos confrontados com os nossos erros,
com a capa que mantínhamos sobre os nossos pecados e que fazia com que
acreditássemos que estava tudo bem, quando estava tudo errado. Ali pude ver,
pela Palavra, o quanto eu estava distante de Deus, o quanto eu havia me deixado
levar pelas circunstâncias, o quanto eu estava fraco espiritualmente. Deus me
fez ver tudo isso de uma forma diferente de outros retiros ou encontros que eu já tinha ido. Vi tudo isso mais maduro, sabendo da minha responsabilidade e que Deus
tinha me dado as armas para mudar de vida, a confiança e o conhecimento da Sua
Palavra.
Encaramos, sim, muitas dificuldades ali,
algumas bem pequenas, que acabavam ganhando enormes proporções. Mas sempre
que vinham na minha boca palavras de murmuração, eu me lembrava da lição que eu tinha aprendido com a minha tia. Vi que não deveria só reclamar, mas aproveitar cada experiência como um aprendizado, viver intensamente
aquilo que Deus havia colocado diante de mim. Lembrei também do versículo de
Deuteronômio 30.19b, onde Deus nos aconselha a fazer a melhor
escolha: “escolhe pois a vida, para que vivas,
tu e a tua descendência”.
As dificuldades sempre estarão ali, sempre teremos que encará-las. Mas o modo como as encaramos é escolha nossa, e o próprio Deus nos
pede que encaremos pelo lado mais fácil, que é o lado bom. Os desafios, as
perdas, as derrotas e até mesmo a morte serão aquilo que permitirmos que elas
sejam: bênção ou maldição! Que essas coisas possam ser bênçãos na sua vida, que
possam ser como uma escola onde se aprendem lições preciosas para toda a vida.
Não é fácil fazer essa escolha, mas tenha certeza que os frutos dela valerão a
pena na hora da colheita!
Até a próxima!
Dedico este texto à memória
da minha tia, Valmira,
e a todos os amigos queridos
que encontrei no retiro!
Deus nos abençoe!
