domingo, 11 de outubro de 2015

Amor ao próximo

Hoje, segundo domingo de outubro, foi dia da realização do círio de Nazaré, a maior procissão católica e uma das maiores festas religiosas do mundo. Todos os anos, cerca de 2 milhões de pessoas enchem as ruas de Belém, demonstrando fé e gratidão por sua padroeira. O que também se repete todos os anos são os embates entre católicos e evangélicos, num eterno ciclo de intolerância de ambas as partes, em nome de dogmas que, de tão enraizados, já se tornaram mais fortes que as verdades bíblicas.

Às vezes, algumas atitudes de evangélicos me entristecem como protestante. Durante os dias que precedem o círio, ouvi e li vários depoimentos de pessoas que tiveram sua liberdade de culto cerceada pela ânsia de alguns religiosos de "converter os pecadores" e "salvar os perdidos". Um dos depoimentos dava conta de um grupo de evangélicos que se reuniu em frente a uma igreja católica para "cancelar o círio" e acabar com a "prática de idolatria" por parte dos católicos.

Outro depoimento - por sinal o mais deprimente - foi o de um jovem católico que contou que sua mãe evangélica estava fazendo de um tudo para impedi-lo de praticar sua religião, inventando mentiras e brigas para que ele abandonasse sua fé. A mãe chegou ao ponto de denunciá-lo à polícia para que ele fosse preso e não pudesse ir à uma missa. Ao fim do desabafo, o jovem ainda afirmou que aquelas eram "as provações pelo que os seguidores de Cristo precisavam passar, a fim de fortalecerem a sua fé". 

As palavras desse jovem me deixaram com uma enorme tristeza ao ver que a mãe, fanática pela "conversão" do filho, não estava percebendo que a única coisa que conseguiria era afastá-lo ainda mais da convivência com ela e aproximá-lo de sua fé. A mulher estava sendo uma provação na vida do próprio filho, provação que os evangélicos tanto oram para que Deus os livre. 

Foto da primeira cobertura do círio que fiz, em 2013
Felizmente, não são só histórias de intolerância que o círio traz. Também conhecemos a história de um jovem rapaz evangélico, que trabalhou esse ano como voluntário no atendimento a fiéis que passaram mal durante a procissão da manhã. Além disso, houve o já tradicional atendimento aos promesseiros feito por uma grande denominação evangélica, com sede numa avenida que faz parte do trajeto da procissão. O atendimento envolve trabalhos fisioterapêuticos e entrega de lanches e água.

O que quero aqui não é defender os católicos e apoiar suas práticas religiosas, com as quais discordo e mantenho minhas diferenças (2Timóteo 2.5), mas sim garantir que os católicos, assim como todos os outros adeptos das mais diversas religiões, tenham sua liberdade de culto assegurada e efetivada. Além do mais, o que busco é alertar que não seremos nós querendo cancelar as tradições católicas na marra ou inventando mentiras sobre as pessoas que faremos com que elas "aceitem Jesus como salvador". 

Como diz a Bíblia, o trabalho não é nosso, mas sim do Espírito Santo de Deus. "Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo." João 16:7,8. Se é que acreditamos em Deus, precisamos acreditar também que Ele fará sua obra, convencendo os homens de seus erros e levando-os ao caminho certo, assim como nós também devemos ser ensinados e moldados constantemente por esse Consolador. 

E que dessa época do ano restem as histórias de compaixão, ajuda, gratidão e, principalmente, de amor ao próximo, que foi o mais importante que Cristo nos ensinou (Mateus 22.39).


Até a próxima!