sexta-feira, 24 de julho de 2015

Voando mais alto - parte 2

E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado. Mateus 23:12
Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração. Salmos 37:4

Como prometido, aqui está a segunda parte dessa história. Passou-se um mês desde a minha volta à universidade e então, no mês de maio, começaram as inscrições para 10 bolsas de intercâmbio estudantil em universidades da Espanha e de Portugal. Como a seleção era para alunos que estivessem, preferencialmente, no quinto semestre – período que estava cursando – resolvi me inscrever, sem grandes expectativas.

Porém, com passar do tempo, o desejo de estudar em outro país foi ficando cada vez mais forte em meu coração, ao mesmo tempo em que a insegurança também crescia, já que eram apenas dez vagas para toda a universidade e muitos colegas meus, excelentes alunos, também haviam se inscrito.

Eu comecei a orar ao Senhor, pedindo que aquele desejo se realizasse, que eu tivesse a chance de, literalmente, alçar vôos maiores e ter a visão ampliada. Também pedi ao Senhor que Ele permitisse que eu deixasse de ser humilhado e diminuído, como fui muitas vezes ao longo da vida. Até o resultado foi divulgado em junho, e o meu nome estava entre os dez selecionados.

Eu me senti como se tivesse ganhado um presente que há muito tempo esperava! Era como se tivesse ganhado um grande prêmio, e na verdade era mesmo. Por anos me esforcei ao máximo para ser um bom aluno. Nem sempre alcancei esse objetivo, mas o busquei com muita vontade. E se conquistei alguma mudança, não foi só por minha ação, mas sim pela força de Deus, que me permitiu continuar a lutar, mesmo com tudo agindo contra.

Eu vi, naquele momento, que Deus não havia se esquecido de mim, que Ele não havia deixado de se importar comigo como eu, pobre pecador, fiz com Ele várias vezes. Vi que o Senhor ainda ouve as nossas orações e que ainda cuida de seus filhos. Vi que Ele não permite que sejamos oprimidos por muito tempo, mas se lutarmos com perseverança, Ele nos concede a vitória com louvor.

Como primeira ação depois de ter passado na seleção, eu procurei agradecer a Deus. Fui à igreja, onde o agradeci por todo o amor que Ele demonstrou por mim. Lembrei de todas as vezes em que as pessoas diziam que eu era um inútil, que eu não sabia de nada, que o que eu fazia não servia para nada, que eu era um tolo idiota, e muitas outras coisas, que eu me esforçava para não rebater à altura. Não contive as lágrimas, pois só Deus e eu sabíamos como havia sido difícil, mas estávamos ali, comemorando mais esta vitória.

Em nenhum momento senti vontade de jogar na cara de quem me humilhou que eu iria para o exterior, não fiz isso quando passei no vestibular, nem quando conquistei meu primeiro emprego, realizações que muitos insistiam em diminuir. Apenas acreditei que eu o fato de eu ter conseguido já era volta por cima suficiente para os que não acreditavam em mim.

Hoje, as lutas são outras, agora vêm os trâmites, procedimentos e ações de preparação para a viagem. E no fim das contas, valeu a pena se esforçar quando todos estavam desinteressados; valeu a pena ir um pouco mais longe na caminhada enquanto todos paravam para descansar; valeu a pena acreditar nas minhas ações, enquanto todos não viam servia para aquilo.

Se você – que leu estas histórias e chegou até aqui – está como eu estive, achando que os seus esforços não valem a pena, ouvindo de todos que você não é capaz e que não vai conseguir; que o melhor é desistir e se contentar com as coisas como elas estão, eu digo a você que não pare, não desista, continue acreditando. Todas as dificuldades que você encara fazem parte do plantio, da semeadura de algo muito maior, que será colhido no futuro. Por isso creia, continue firme e forte, lutando e crendo até o fim. Eu estou apenas no começo da colheita, e sei que Deus ainda tem muito mais do que eu possa pedir, pensar ou esperar. Hoje, mais do que nunca, creio que o melhor que Deus tem ainda está por vir. 

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Voando mais alto - parte 1

Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Provérbios 3:6
O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Salmo 30.5b

Os versículos acima expressam bem o que vivi nos últimos tempos. Quatro meses se passaram desde a minha última postagem nesse blog, tanto tempo que achei que não voltaria mais a escrever. Mas devido aos inúmeros acontecimentos tão importantes e marcantes na minha vida, decidi que precisava compartilhar o que vivi, para que outros possam saber o que aconteceu e, quem sabe, ter o novo ânimo que eu tive.

Devido à importância de tudo o que aconteceu e pelo grande intervalo sem escrever, decidi, pela primeira vez, dividir um texto em duas partes, para que eu não me estenda muito contando detalhes de momentos tão complexos. A primeira parte postarei hoje e a segunda na próxima sexta-feira. Começo aqui contando os acontecimentos desde a última postagem.  

A última publicação aconteceu em março e, àquela altura, estava passando por uma fase complicada. No âmbito profissional, estava insatisfeito com o estágio que estava fazendo em uma empresa de comunicação paraense. Aquilo me desgastava física e emocionalmente, me mantinha longe quem eu amava e me deixava perto de pessoas que me incomodavam e queriam o meu mal. Felizmente, Deus me mostrou uma porta de saída daquela situação, que eu não pensei muito em adentrar.

Com isso, no mês de abril eu mudei de estágio, voltando a atuar dentro da minha universidade. Com essa experiência eu aprendi que dinheiro nenhum, visibilidade nenhuma é melhor do que a nossa felicidade, que a nossa realização como pessoa. Naquele momento eu pedi a direção de Deus, pois não queria errar de novo, indo para um lugar que não me fizesse bem. Deus me deu confiança para seguir aquele caminho. Inúmeras vezes eu já havia recebido “não” de Deus, mas dessa vez, pela primeira vez, eu senti que Ele dizia sim àquilo que eu achava que deveria fazer. E essa foi, realmente, a melhor decisão a se tomar.

Porém, ao voltar ao convívio da universidade, eu voltei a conviver com quem eu amava, e a convivência começou a ficar cada vez mais desgastada. Confesso que errei em vários pontos, e concordo que deveríamos mesmo nos afastar. Quando nos afastamos, aquela perda foi muito dura para mim. Era como se eu perdesse o esteio que não permitia que eu caísse no abismo de solidão e escuridão que estava ao meu redor. Me senti caindo nesse abismo, como se aquele apoio nunca tivesse existido. Foi muito duro pra mim, senti como se tivesse aberto mão de todas as coisas que eu era por algo que foi fugaz e não trouxe a felicidade que eu procurava.

Foi, sem dúvida, um dos períodos mais difíceis da minha vida. Mas foi a partir dele que depreendi vários ensinamentos que irão comigo por toda a minha vida. Aprendi que devemos nos amar acima de qualquer circunstância, que ninguém vai ser mais importante que a nossa felicidade, que a nossa saúde e bem estar. Aprendi também que para podermos crescer precisamos aprender a dizer não. Dizer sempre sim revela a nossa fraqueza e falta de interesse por nós mesmos. Revela uma baixa auto estima, causada também por nós mesmos.

Por fim, e mais importante, aprendi que, na maioria das vezes, estaremos sozinhos na vida, e que, se tivermos alguém ao nosso lado, será por livre e espontânea vontade e não pelos nossos esforços em fazer com que alguém fique. Se posso deixar um conselho a você, leitor, deixo-o agora: não deixe de ser quem você é por causa de ninguém, não abra mão da sua identidade, não mude, não peça e nem implore para alguém estar com você. Ame-se primeiro, faça de você uma pessoa especial e sinta-se bem com você mesmo. Com o tempo as pessoas é que pedirão para você estar perto delas.

Aprendi essas lições depois de várias noites chorosas. Mas o choro teve fim quando, finalmente, o dia amanheceu, e as promessas começaram a se cumprir. Os sonhos maiores e mais distantes – distantes apenas na minha cabeça – começaram a se tornar reais quando eu nem acreditava mais.

Quando estávamos no mês de maio, uma importante oportunidade surgiu na minha vida. Essa oportunidade chegou para me mostrar que nem tudo estava perdido, que eu era sim alguém capaz de fazer importantes realizações, que eu posso sim conquistar os meus sonhos, que há tempos haviam sido esquecidos. Isso, com certeza, será só o começo de uma linda história.


CONTINUA...


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