E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a
si mesmo se humilhar será exaltado. Mateus 23:12
Como prometido, aqui está a segunda parte dessa história. Passou-se um mês desde a minha
volta à universidade e então, no mês de maio, começaram as inscrições para 10
bolsas de intercâmbio estudantil em universidades da Espanha e de Portugal. Como
a seleção era para alunos que estivessem, preferencialmente, no quinto semestre
– período que estava cursando – resolvi me inscrever, sem grandes
expectativas.
Porém, com passar do tempo, o
desejo de estudar em outro país foi ficando cada vez mais forte em meu coração,
ao mesmo tempo em que a insegurança também crescia, já que eram apenas dez vagas
para toda a universidade e muitos colegas meus, excelentes alunos, também
haviam se inscrito.
Eu comecei a orar ao Senhor,
pedindo que aquele desejo se realizasse, que eu tivesse a chance de,
literalmente, alçar vôos maiores e ter a visão ampliada. Também pedi ao Senhor
que Ele permitisse que eu deixasse de ser humilhado e diminuído, como fui
muitas vezes ao longo da vida. Até o resultado foi divulgado em junho, e o meu
nome estava entre os dez selecionados.
Eu me senti como se tivesse
ganhado um presente que há muito tempo esperava! Era como se tivesse ganhado um
grande prêmio, e na verdade era mesmo. Por anos me esforcei ao máximo para ser
um bom aluno. Nem sempre alcancei esse objetivo, mas o busquei com muita vontade.
E se conquistei alguma mudança, não foi só por minha ação, mas sim pela força
de Deus, que me permitiu continuar a lutar, mesmo com tudo agindo contra.
Eu vi, naquele momento, que Deus
não havia se esquecido de mim, que Ele não havia deixado de se importar comigo
como eu, pobre pecador, fiz com Ele várias vezes. Vi que o Senhor ainda ouve as
nossas orações e que ainda cuida de seus filhos. Vi que Ele não permite que
sejamos oprimidos por muito tempo, mas se lutarmos com perseverança, Ele nos
concede a vitória com louvor.
Como primeira ação depois de ter
passado na seleção, eu procurei agradecer a Deus. Fui à igreja, onde o agradeci
por todo o amor que Ele demonstrou por mim. Lembrei de todas as vezes em que as
pessoas diziam que eu era um inútil, que eu não sabia de nada, que o que eu
fazia não servia para nada, que eu era um tolo idiota, e muitas outras coisas,
que eu me esforçava para não rebater à altura. Não contive as lágrimas, pois só
Deus e eu sabíamos como havia sido difícil, mas estávamos ali, comemorando mais
esta vitória.
Em nenhum momento senti vontade de
jogar na cara de quem me humilhou que eu iria para o exterior, não fiz isso
quando passei no vestibular, nem quando conquistei meu primeiro emprego,
realizações que muitos insistiam em diminuir. Apenas acreditei que eu o fato de
eu ter conseguido já era volta por cima suficiente para os que não acreditavam
em mim.
Hoje, as lutas são outras, agora
vêm os trâmites, procedimentos e ações de preparação para a viagem. E no fim
das contas, valeu a pena se esforçar quando todos estavam desinteressados; valeu
a pena ir um pouco mais longe na caminhada enquanto todos paravam para
descansar; valeu a pena acreditar nas minhas ações, enquanto todos não viam
servia para aquilo.
Se você – que leu estas histórias e
chegou até aqui – está como eu estive, achando que os seus esforços não valem a
pena, ouvindo de todos que você não é capaz e que não vai conseguir; que o melhor é
desistir e se contentar com as coisas como elas estão, eu digo a você que não
pare, não desista, continue acreditando. Todas as dificuldades que você encara
fazem parte do plantio, da semeadura de algo muito maior, que será colhido no
futuro. Por isso creia, continue firme e forte, lutando e crendo até o fim. Eu
estou apenas no começo da colheita, e sei que Deus ainda tem muito mais do que
eu possa pedir, pensar ou esperar. Hoje, mais do que nunca, creio que o
melhor que Deus tem ainda está por vir.

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