quarta-feira, 2 de março de 2016

Aprender... mais e mais


Depois de vários dias vivendo uma nova fase na minha vida, decidi - na verdade, lembrei - compartilhar o que tenho vivido neste receptáculo onde estão registrados os passos mais importantes da minha vida. E este que dei, certamente foi mais longo e incerto que podia ter dado. Há um mês estou morando em Portugal, meu primeiro mês fora do meu país, estudando na Universidade do Porto, vivendo uma gama de aprendizados e descobertas que me marcarão para sempre.

A ribeira do Porto vista da Ponte D. Luis
Como aprendi a anos atrás, a nossa vida é feitas de fase, nada é eterno ou imutável, nada durará para sempre. Ao parar e refletir no tempo em que tenho vivido, me dei conta das várias fases pelas quais já me minha ainda curta vida, os desafios que precisei encarar, as superações que vivi, as alegrias que tive, as tristeza com as quais precisei lidar, os erros que cometi, os elogios que recebi, todas essas fases da vida de uma pessoa corroboram para quem ela será e que caminho poderá trilhar. 

Estar em outro país é mais um desafio - talvez o maior deles que tenha vivido até aqui - que encaro, mas, diferente de outros que passaram, vivê-lo tem sido prazeroso, instigante e amadurecedor. A cidade em que estou, Porto, é incrivelmente bela e amada tanto por moradores, quanto por turistas e esse amor se percebe nas ruas, praças, jardins, palácios, casas e, principalmente, nas pessoas. Esse amor, a beleza desse cuidado, o patrimônio que esta cidade representa nos marca desde os primeiros dias de estada aqui. Outros são os portugueses, simples, realistas, amáveis, corretos, brigões, falastrões, risonhos, esperançosos por maiores que sejam as dificuldades que encarem.

Museu Romântico
Falando nisso, descobrir que eles passam por dificuldades foi uma surpresa para mim. Quem lê pode se admirar com a minha ingenuidade, já que em todos os países do mundo se passa por dificuldades, mas a idealização que nós do Terceiro Mundo fazemos das nações europeias é de qualidade de vida, fartura, riqueza, paz, segurança e bem-estar. Mas nem tudo isso há em Portugal. Eles enfrentam uma crise econômica que os fez perder grande parte do orçamento e também investimentos em áreas essenciais. Os país, aliás, sempre foi um dos mais pobres da Europa, o desenvolvimento só chegou com a entrada na União Europeia, na década de 1980. Quanto mais vivo por aqui, mais entendo que temos muito a quem puxar...

Saída do Jardim do Palácio de Cristal
Viver fora do lar não tem sido tão difícil, mas tem exigido adaptação e paciência, calma e resignação, planejamento e responsabilidade, leveza e tranquilidade. Por cá tenho morado no alojamento universitário, que tive a sorte de conseguir e onde já conheci alguns colegas que me acolheram na minha loucura de sair da minha casa, do meu país. Falarmos quase a mesma língua tem ajudado muito, apesar de estar cada vez mais convicto, assim como eles, que nós falamos brasileiro e não português.

Aos poucos a gente percebe que o nosso lar é onde quisermos que ele seja. É claro que a nossa cidade, nossa casa, os nossos familiares, nossos amigos e colegas fazem falta, e isso nos ensina a valorizar cada momento quando estivermos perto deles. Aqui já aprendi que tenho um lugar no mundo e, por mais cosmopolita que eu me torne, esse lugar sempre estará em mim e eu, de certa forma, estarei nele. Já aprendi também que, na vida, tudo tem um preço, tudo exige sacrifício, e temos que fazê-lo se quisermos chegar a algum lugar.

Eu, com certeza, já aprendi muito, mas sei que ainda tenho muito a aprender nos próximos meses que ficarei por aqui, ou no Brasil, ou em qualquer lugar em que esteja. Espero que tudo o que já vi e vivi aqui, em mais esta fase da vida que tenho vivido, contribua para que eu me torne um homem mais consciente, humilde, dedicado, que ama as pessoas e a vida, sempre em busca de aprender mais e mais.

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