Sempre quando chega uma data importante para a gente, uma
atitude contumaz é olhar para trás e ver quantos erros e acertos já tivemos, em
suma, tudo o que já passamos. Todo ano, quando chega esse dia, é como se a
minha mente fizesse uma balanço das coisas que aconteceram desde o último dia 9
de novembro e acabasse percebendo que muitas coisas mudaram. O que anima é
saber que as dificuldades trouxeram ensinamentos e avanços também existiram.
No último ano, encarei problemas recorrentes na minha
vida, como a dependência emocional, o excesso de possessividade e também de
afeto – tudo o que é demais enjoa, até o amor – e tudo isso fez com que eu
precisasse levar uns tapas da vida para perceber que as soluções não estão nos
extremos, mas sim nos meios. Amar demais faz mal; se dedicar demais não vale a
pena; abrir mão nem sempre é a melhor escolha. Em todas as situações, o que
prevalece é o bom senso.
Aprendi a ser mais seguro, até porque precisei sair do
meu lugar de conforto para encarar os problemas de frente, senão fosse assim, o
tormento nunca iria terminar. Aprendi que falar a verdade, não importa o quão
ruim ela seja, é sempre melhor. Aprendi que se você não gosta de mentir para
esconder os erros, a solução pode ser simples: não erre. Ou aprenda a ser dono
dos seus atos, doa a quem doer...
Outro aprendizado interessante que tive é que estar
sozinho não necessariamente implica em estar solitário e abandonado. Nesse
momento, você consegue estabelecer as suas prioridades como meta para sua vida,
e com isso você vive melhor e tem coisas mais construtivas para oferecer quando
estiver perto de alguém. A carência, seja física, emocional, afetiva ou
qualquer outra, sempre vem, mas é importante não se deixar levar por ela. É
possível cometer grandes erros por causa da solidão. Aprendi a ser a minha
principal companhia, e se alguém quiser vir conosco, esteja à vontade.
Errei em me entregar demais às relações que tive, de
qualquer tipo. Coloquei demais nas outras pessoas uma responsabilidade que não
lhes diz respeito, a minha felicidade, a qual sou o único capaz de criar.
Entreguei demais, esperando algo em troca – o que é pior – achando que era por
amor, mas na verdade era por puro egoísmo. Fiz tempestades em copo d’água,
dificultei situações simples, me calei em situações cruciais, fechei os olhos
para o que estava à minha frente e só enxerguei o que queria e que não me fazia
bem. Cometi uma série de pequenos erros, que como um castelo de cartas, me
isolaram em minhas próprias fragilidades.
Hoje, certamente, colho os frutos dos meus erros, mas
também guardo as lições que eles me deram. Hoje, agradeço a Deus por ter
aprendido, mesmo que a duras penas, o que é viver. Hoje, agradeço a Deus, por que apesar das dificuldades, tenho sido vitorioso em todas elas. Hoje, eu agradeço por ser
mais feliz, maduro e livre do que há um ano atrás. Hoje, agradeço por estar só
no começo de uma linda história, que ainda terá muitos erros e acertos, enfim,
aprendizado.






