segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Erros e acertos

Sempre quando chega uma data importante para a gente, uma atitude contumaz é olhar para trás e ver quantos erros e acertos já tivemos, em suma, tudo o que já passamos. Todo ano, quando chega esse dia, é como se a minha mente fizesse uma balanço das coisas que aconteceram desde o último dia 9 de novembro e acabasse percebendo que muitas coisas mudaram. O que anima é saber que as dificuldades trouxeram ensinamentos e avanços também existiram.

No último ano, encarei problemas recorrentes na minha vida, como a dependência emocional, o excesso de possessividade e também de afeto – tudo o que é demais enjoa, até o amor – e tudo isso fez com que eu precisasse levar uns tapas da vida para perceber que as soluções não estão nos extremos, mas sim nos meios. Amar demais faz mal; se dedicar demais não vale a pena; abrir mão nem sempre é a melhor escolha. Em todas as situações, o que prevalece é o bom senso.

Aprendi a ser mais seguro, até porque precisei sair do meu lugar de conforto para encarar os problemas de frente, senão fosse assim, o tormento nunca iria terminar. Aprendi que falar a verdade, não importa o quão ruim ela seja, é sempre melhor. Aprendi que se você não gosta de mentir para esconder os erros, a solução pode ser simples: não erre. Ou aprenda a ser dono dos seus atos, doa a quem doer...

Outro aprendizado interessante que tive é que estar sozinho não necessariamente implica em estar solitário e abandonado. Nesse momento, você consegue estabelecer as suas prioridades como meta para sua vida, e com isso você vive melhor e tem coisas mais construtivas para oferecer quando estiver perto de alguém. A carência, seja física, emocional, afetiva ou qualquer outra, sempre vem, mas é importante não se deixar levar por ela. É possível cometer grandes erros por causa da solidão. Aprendi a ser a minha principal companhia, e se alguém quiser vir conosco, esteja à vontade.

Errei em me entregar demais às relações que tive, de qualquer tipo. Coloquei demais nas outras pessoas uma responsabilidade que não lhes diz respeito, a minha felicidade, a qual sou o único capaz de criar. Entreguei demais, esperando algo em troca – o que é pior – achando que era por amor, mas na verdade era por puro egoísmo. Fiz tempestades em copo d’água, dificultei situações simples, me calei em situações cruciais, fechei os olhos para o que estava à minha frente e só enxerguei o que queria e que não me fazia bem. Cometi uma série de pequenos erros, que como um castelo de cartas, me isolaram em minhas próprias fragilidades.

Hoje, certamente, colho os frutos dos meus erros, mas também guardo as lições que eles me deram. Hoje, agradeço a Deus por ter aprendido, mesmo que a duras penas, o que é viver. Hoje, agradeço a Deus, por que apesar das dificuldades, tenho sido vitorioso em todas elas. Hoje, eu agradeço por ser mais feliz, maduro e livre do que há um ano atrás. Hoje, agradeço por estar só no começo de uma linda história, que ainda terá muitos erros e acertos, enfim, aprendizado.

domingo, 11 de outubro de 2015

Amor ao próximo

Hoje, segundo domingo de outubro, foi dia da realização do círio de Nazaré, a maior procissão católica e uma das maiores festas religiosas do mundo. Todos os anos, cerca de 2 milhões de pessoas enchem as ruas de Belém, demonstrando fé e gratidão por sua padroeira. O que também se repete todos os anos são os embates entre católicos e evangélicos, num eterno ciclo de intolerância de ambas as partes, em nome de dogmas que, de tão enraizados, já se tornaram mais fortes que as verdades bíblicas.

Às vezes, algumas atitudes de evangélicos me entristecem como protestante. Durante os dias que precedem o círio, ouvi e li vários depoimentos de pessoas que tiveram sua liberdade de culto cerceada pela ânsia de alguns religiosos de "converter os pecadores" e "salvar os perdidos". Um dos depoimentos dava conta de um grupo de evangélicos que se reuniu em frente a uma igreja católica para "cancelar o círio" e acabar com a "prática de idolatria" por parte dos católicos.

Outro depoimento - por sinal o mais deprimente - foi o de um jovem católico que contou que sua mãe evangélica estava fazendo de um tudo para impedi-lo de praticar sua religião, inventando mentiras e brigas para que ele abandonasse sua fé. A mãe chegou ao ponto de denunciá-lo à polícia para que ele fosse preso e não pudesse ir à uma missa. Ao fim do desabafo, o jovem ainda afirmou que aquelas eram "as provações pelo que os seguidores de Cristo precisavam passar, a fim de fortalecerem a sua fé". 

As palavras desse jovem me deixaram com uma enorme tristeza ao ver que a mãe, fanática pela "conversão" do filho, não estava percebendo que a única coisa que conseguiria era afastá-lo ainda mais da convivência com ela e aproximá-lo de sua fé. A mulher estava sendo uma provação na vida do próprio filho, provação que os evangélicos tanto oram para que Deus os livre. 

Foto da primeira cobertura do círio que fiz, em 2013
Felizmente, não são só histórias de intolerância que o círio traz. Também conhecemos a história de um jovem rapaz evangélico, que trabalhou esse ano como voluntário no atendimento a fiéis que passaram mal durante a procissão da manhã. Além disso, houve o já tradicional atendimento aos promesseiros feito por uma grande denominação evangélica, com sede numa avenida que faz parte do trajeto da procissão. O atendimento envolve trabalhos fisioterapêuticos e entrega de lanches e água.

O que quero aqui não é defender os católicos e apoiar suas práticas religiosas, com as quais discordo e mantenho minhas diferenças (2Timóteo 2.5), mas sim garantir que os católicos, assim como todos os outros adeptos das mais diversas religiões, tenham sua liberdade de culto assegurada e efetivada. Além do mais, o que busco é alertar que não seremos nós querendo cancelar as tradições católicas na marra ou inventando mentiras sobre as pessoas que faremos com que elas "aceitem Jesus como salvador". 

Como diz a Bíblia, o trabalho não é nosso, mas sim do Espírito Santo de Deus. "Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo." João 16:7,8. Se é que acreditamos em Deus, precisamos acreditar também que Ele fará sua obra, convencendo os homens de seus erros e levando-os ao caminho certo, assim como nós também devemos ser ensinados e moldados constantemente por esse Consolador. 

E que dessa época do ano restem as histórias de compaixão, ajuda, gratidão e, principalmente, de amor ao próximo, que foi o mais importante que Cristo nos ensinou (Mateus 22.39).


Até a próxima!

sábado, 12 de setembro de 2015

Viagem ao Rio

Hoje quero compartilhar aqui a gama de sentimentos que tenho em mim desde que voltei da viagem mais importante que já fiz até hoje, indo para o Rio de Janeiro. Dizer que a cidade é linda é um lugar comum, que todos já conhecem. Porém, o que mais me marcou foram os aprendizados que eu trouxe daquela cidade, lições que eu pretendo carregar para o resto da vida.

Mirante do Leblon
Algumas lições foram difíceis de serem aprendidas e causaram certo desconforto, mas essa é outra história, para a qual dedicarei outro texto. Aqui, quero falar da experiência de sair, pela primeira vez, da minha cidade, e conhecer um lugar totalmente diferente, diversificado, amplo e cheio de possibilidades como a capital fluminense.

Fui ao Rio de Janeiro participar do 37º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Um dos pontos altos da viagem foi poder conhecer o Rio com cariocas, o casal Anderson Macedo e Sandra Santos, nossos anfitriões em nossa estada na cidade, que nos mostraram lados da cidade que só quem mora nela conhece. Conhecemos o Pão de Açúcar por meio de uma trilha, Santa Tereza, praias como a Vermelha, da Urca, de Ipanema, do Leblon, de Copacabana, do Diabo, do Flamengo etc. As lindas paisagens também ficaram escancaradas quando fomos ao Mirante Dona Marta, de onde se vê quase toda a cidade, à Pedra do Arpoador, de onde um dos mais lindos pôr-do-sol do Brasil, e do mirante do Leblon, de onde se pode ver a orla de Ipanema.

Vista do Mirante Dona Marta, em Santa Teresa

Pudemos também desfrutar da cultura diversa que a cidade abriga nos museus, como o Museu de Belas Artes e de Arte Moderna, locais históricos que remontam a fase imperial, como a Quinta da Boa Vista, o Jardim Zoológico e o Jardim Botânico, além de locais tradicionais, como o comércio do Saara, o bairro da Lapa e o centro antigo da cidade.

Tudo foi incrível. Mesmo assim, o que mais me marcou não foram as belas paisagens e locais interessantes, mas sim a experiência de viajar sem a minha família para um lugar totalmente desconhecido, para a casa de desconhecidos. Viagei com um grupo de amigos, que, ao cabo de dias, percebi que também eram desconhecidos, pois, como minha avó dizia, a gente só conhece uma pessoa quando “gasta um quilo de sal com ela”. E como foi importante gastar esse sal, ou passar uns dias com pessoas que achamos que conhecemos. Voltei de viagem sabendo exatamente quem era quem na minha vida. Como disse anteriormente, a essa história dedicarei outro texto.

Vista do bairro da Urca
O que fica comigo são as memórias das maravilhas do Rio, e também a sensação de que a minha cidade ainda precisa evoluir muito, já que uma cidade cheia de problemas como aquela capital está anos à frente da nossa cidade. Fica o desejo de voltar, de aproveitar ainda mais o que o Rio de Janeiro tem a oferecer. Fica o desejo de conhecer sempre mais do que o Brasil tem a nos oferecer.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Voando mais alto - parte 2

E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado. Mateus 23:12
Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração. Salmos 37:4

Como prometido, aqui está a segunda parte dessa história. Passou-se um mês desde a minha volta à universidade e então, no mês de maio, começaram as inscrições para 10 bolsas de intercâmbio estudantil em universidades da Espanha e de Portugal. Como a seleção era para alunos que estivessem, preferencialmente, no quinto semestre – período que estava cursando – resolvi me inscrever, sem grandes expectativas.

Porém, com passar do tempo, o desejo de estudar em outro país foi ficando cada vez mais forte em meu coração, ao mesmo tempo em que a insegurança também crescia, já que eram apenas dez vagas para toda a universidade e muitos colegas meus, excelentes alunos, também haviam se inscrito.

Eu comecei a orar ao Senhor, pedindo que aquele desejo se realizasse, que eu tivesse a chance de, literalmente, alçar vôos maiores e ter a visão ampliada. Também pedi ao Senhor que Ele permitisse que eu deixasse de ser humilhado e diminuído, como fui muitas vezes ao longo da vida. Até o resultado foi divulgado em junho, e o meu nome estava entre os dez selecionados.

Eu me senti como se tivesse ganhado um presente que há muito tempo esperava! Era como se tivesse ganhado um grande prêmio, e na verdade era mesmo. Por anos me esforcei ao máximo para ser um bom aluno. Nem sempre alcancei esse objetivo, mas o busquei com muita vontade. E se conquistei alguma mudança, não foi só por minha ação, mas sim pela força de Deus, que me permitiu continuar a lutar, mesmo com tudo agindo contra.

Eu vi, naquele momento, que Deus não havia se esquecido de mim, que Ele não havia deixado de se importar comigo como eu, pobre pecador, fiz com Ele várias vezes. Vi que o Senhor ainda ouve as nossas orações e que ainda cuida de seus filhos. Vi que Ele não permite que sejamos oprimidos por muito tempo, mas se lutarmos com perseverança, Ele nos concede a vitória com louvor.

Como primeira ação depois de ter passado na seleção, eu procurei agradecer a Deus. Fui à igreja, onde o agradeci por todo o amor que Ele demonstrou por mim. Lembrei de todas as vezes em que as pessoas diziam que eu era um inútil, que eu não sabia de nada, que o que eu fazia não servia para nada, que eu era um tolo idiota, e muitas outras coisas, que eu me esforçava para não rebater à altura. Não contive as lágrimas, pois só Deus e eu sabíamos como havia sido difícil, mas estávamos ali, comemorando mais esta vitória.

Em nenhum momento senti vontade de jogar na cara de quem me humilhou que eu iria para o exterior, não fiz isso quando passei no vestibular, nem quando conquistei meu primeiro emprego, realizações que muitos insistiam em diminuir. Apenas acreditei que eu o fato de eu ter conseguido já era volta por cima suficiente para os que não acreditavam em mim.

Hoje, as lutas são outras, agora vêm os trâmites, procedimentos e ações de preparação para a viagem. E no fim das contas, valeu a pena se esforçar quando todos estavam desinteressados; valeu a pena ir um pouco mais longe na caminhada enquanto todos paravam para descansar; valeu a pena acreditar nas minhas ações, enquanto todos não viam servia para aquilo.

Se você – que leu estas histórias e chegou até aqui – está como eu estive, achando que os seus esforços não valem a pena, ouvindo de todos que você não é capaz e que não vai conseguir; que o melhor é desistir e se contentar com as coisas como elas estão, eu digo a você que não pare, não desista, continue acreditando. Todas as dificuldades que você encara fazem parte do plantio, da semeadura de algo muito maior, que será colhido no futuro. Por isso creia, continue firme e forte, lutando e crendo até o fim. Eu estou apenas no começo da colheita, e sei que Deus ainda tem muito mais do que eu possa pedir, pensar ou esperar. Hoje, mais do que nunca, creio que o melhor que Deus tem ainda está por vir. 

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Voando mais alto - parte 1

Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Provérbios 3:6
O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Salmo 30.5b

Os versículos acima expressam bem o que vivi nos últimos tempos. Quatro meses se passaram desde a minha última postagem nesse blog, tanto tempo que achei que não voltaria mais a escrever. Mas devido aos inúmeros acontecimentos tão importantes e marcantes na minha vida, decidi que precisava compartilhar o que vivi, para que outros possam saber o que aconteceu e, quem sabe, ter o novo ânimo que eu tive.

Devido à importância de tudo o que aconteceu e pelo grande intervalo sem escrever, decidi, pela primeira vez, dividir um texto em duas partes, para que eu não me estenda muito contando detalhes de momentos tão complexos. A primeira parte postarei hoje e a segunda na próxima sexta-feira. Começo aqui contando os acontecimentos desde a última postagem.  

A última publicação aconteceu em março e, àquela altura, estava passando por uma fase complicada. No âmbito profissional, estava insatisfeito com o estágio que estava fazendo em uma empresa de comunicação paraense. Aquilo me desgastava física e emocionalmente, me mantinha longe quem eu amava e me deixava perto de pessoas que me incomodavam e queriam o meu mal. Felizmente, Deus me mostrou uma porta de saída daquela situação, que eu não pensei muito em adentrar.

Com isso, no mês de abril eu mudei de estágio, voltando a atuar dentro da minha universidade. Com essa experiência eu aprendi que dinheiro nenhum, visibilidade nenhuma é melhor do que a nossa felicidade, que a nossa realização como pessoa. Naquele momento eu pedi a direção de Deus, pois não queria errar de novo, indo para um lugar que não me fizesse bem. Deus me deu confiança para seguir aquele caminho. Inúmeras vezes eu já havia recebido “não” de Deus, mas dessa vez, pela primeira vez, eu senti que Ele dizia sim àquilo que eu achava que deveria fazer. E essa foi, realmente, a melhor decisão a se tomar.

Porém, ao voltar ao convívio da universidade, eu voltei a conviver com quem eu amava, e a convivência começou a ficar cada vez mais desgastada. Confesso que errei em vários pontos, e concordo que deveríamos mesmo nos afastar. Quando nos afastamos, aquela perda foi muito dura para mim. Era como se eu perdesse o esteio que não permitia que eu caísse no abismo de solidão e escuridão que estava ao meu redor. Me senti caindo nesse abismo, como se aquele apoio nunca tivesse existido. Foi muito duro pra mim, senti como se tivesse aberto mão de todas as coisas que eu era por algo que foi fugaz e não trouxe a felicidade que eu procurava.

Foi, sem dúvida, um dos períodos mais difíceis da minha vida. Mas foi a partir dele que depreendi vários ensinamentos que irão comigo por toda a minha vida. Aprendi que devemos nos amar acima de qualquer circunstância, que ninguém vai ser mais importante que a nossa felicidade, que a nossa saúde e bem estar. Aprendi também que para podermos crescer precisamos aprender a dizer não. Dizer sempre sim revela a nossa fraqueza e falta de interesse por nós mesmos. Revela uma baixa auto estima, causada também por nós mesmos.

Por fim, e mais importante, aprendi que, na maioria das vezes, estaremos sozinhos na vida, e que, se tivermos alguém ao nosso lado, será por livre e espontânea vontade e não pelos nossos esforços em fazer com que alguém fique. Se posso deixar um conselho a você, leitor, deixo-o agora: não deixe de ser quem você é por causa de ninguém, não abra mão da sua identidade, não mude, não peça e nem implore para alguém estar com você. Ame-se primeiro, faça de você uma pessoa especial e sinta-se bem com você mesmo. Com o tempo as pessoas é que pedirão para você estar perto delas.

Aprendi essas lições depois de várias noites chorosas. Mas o choro teve fim quando, finalmente, o dia amanheceu, e as promessas começaram a se cumprir. Os sonhos maiores e mais distantes – distantes apenas na minha cabeça – começaram a se tornar reais quando eu nem acreditava mais.

Quando estávamos no mês de maio, uma importante oportunidade surgiu na minha vida. Essa oportunidade chegou para me mostrar que nem tudo estava perdido, que eu era sim alguém capaz de fazer importantes realizações, que eu posso sim conquistar os meus sonhos, que há tempos haviam sido esquecidos. Isso, com certeza, será só o começo de uma linda história.


CONTINUA...


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quinta-feira, 19 de março de 2015

Dependência emocional

Hoje quero compartilhar aqui algo que marcou a minha vida, e que ainda marca a vida de muitas pessoas, de ambos os sexos, de todas as idades, nacionalidades e etnias. Um problema da alma, que nos derruba como uma doença grave em todo o corpo. Em certos casos, pode mesmo se tornar uma patologia, mas que pode ser tratada e superada. Quero falar aqui da dependência emocional, mal de que quase não se fala, apesar de ser comum entre muitas pessoas. 

Há alguns anos encarei muitas dificuldades por causa da dependência emocional. Tudo o que eu queria era ser amado e aceito pelas pessoas, ainda que fosse apenas uma pessoa, não importava. Queria a atenção de alguém. Quando eu encontrei alguém que aparentava se importar comigo, me apeguei de tal forma que não conseguia mais passar muito tempo distante.

Com o tempo percebi que estava depende do "carinho" e da "atenção" que me era dada. Só que eu pagava um alto preço por essas coisas. Eu era diminuído, menosprezado, perdi meus amigos, tive problemas com familiares, fui tão longe que comecei a esquecer até mesmo de quem eu era. Até que chegou o momento em que eu vi o quanto eu havia me destruindo, o quanto eu estava esquecendo quem eu era e porque estava ali. Percebi que precisava me libertar, e que essa libertação não viria pelas mãos de ninguém, a não ser pelas mãos de Deus e pelas minhas.

A partir daí me encontrei em longo processo de transformação, que envolveu aceitação das minhas características, autoavaliação dos meus erros e acertos, construção da minha independência social e psicológica - e, dentro em breve, financeira. Sofri muito, aprendi a duras penas que eu estava errado e que se eu quisesse parar de sofrer, teria que mudar e abandonar a vida que eu estava levando.

Não foi fácil e em nenhum momento pensei que seria. Um peso como esse é muito difícil de ser carregado sozinho. Como eu não tinha ninguém próximo para compartilhar, dividia minhas angústias com Deus, meu único amigo por muito tempo. Mas chega o momento em que você precisa contar a alguém, ouvir uma voz humana te dizer alguma coisa, alguma resposta, mesmo que seja uma crítica ou reprovação. 

Foi assim que descobri que eu não era o único a passar por isso. Compartilho, a partir daqui, a história de "Ana" - "Ana" é um nome fictício para preservar a identidade de quem me contou a história. Ana conheceu um rapaz ainda na infância, eles foram colegas de turma por muitos anos, e, ao fim do ensino médio, iniciaram um relacionamento marcado pelo amor excessivo, entrega total e uma sequência de decepções. Quando estavam prestes a completar um ano de namoro, o relacionamento estava desgastado pelas irreconciliáveis diferenças entre os dois, cobranças e mágoas. Apesar de ainda se amarem, o relacionamento acabou chegando ao fim. 

Mas o fim acabou sendo pior do que o relacionamento. Ana ficou completamente destruída com o término do romance. Enfrentou uma profunda depressão, seguida de um rápido emagrecimento, causado por uma bulimia nervosa. A profunda tristeza que acometeu Ana pode ser explicada pela sua carência e pela grande dependência emocional que tinha pelo seu namorado, que não conseguia lidar com tamanha responsabilidade. A dependência emocional não atinge apenas o dependente, mas também a pessoa de quem se depende. Não é fácil lidar com a carga de ser responsável pela felicidade de outra pessoa. Isso pode ter causado o fim do namoro. 

Mas o certo mesmo não é procurar culpados, ou causas em eventos externos. O certo é achar a resposta que está dentro de nós, que nos conduz ao que realmente devemos ser e fazer. Ana, com o tempo, conseguiu superar a perda do namorado e aprendeu a ser mais independente, física e emocionalmente. Acreditar mais em si mesmo, aprender a ser feliz com quem somos e não colocar nossas ambições e desejos nas mãos de outras pessoas são importantes passos para a liberdade da dependência emocional, que pode acontecer entre pais e filhos, entre irmãos, namorados e amigos. Buscar, também, formas de ocupar a mente com coisas produtivas pode ajudar. Buscar a ajuda de Deus é sempre confortante. Ele nunca nos rejeita, mas sempre nos ama, incondicionalmente.

E mais do que tudo: ter calma e paciência. Com o tempo, você vai aprender a superar essa limitação. Quando você estiver sozinho, e, ao mesmo tempo, feliz consigo mesmo, então o problema estará superado e você estará preparado para amar de verdade, seja de que forma for.


domingo, 15 de março de 2015

O que precisamos de verdade

Hoje foi um dia muito importante para a política brasileira. É inegável que a situação política do país é de crise, e que inúmeras dificuldades abatem o povo e o sistema de governo. A corrupção na maior empresa brasileira, a Petrobrás; o ajuste fiscal que aumentou preços e cortou benefícios dos mais necessitados; o corte de investimentos em setores básicos como educação e saúde estão engasgados na guela do povo, que saiu às ruas para protestar mais uma vez em busca dos seus direitos. 

Em São Paulo, 1 milhão de pessoas encheram a Avenida Paulista; em Brasília, a esplanada dos ministérios foi tomada por 45 mil pessoas; no Rio de Janeiro, 15 mil pessoas foram à praia de Copacabana em protesto ao governo; à atual presidente, Dilma Roussef; ao seu partido, o Partido dos Trabalhadores e a todos os erros da administração do país. 

O que não se pode deixar de perceber são algumas reivindicações incabíveis dos manifestantes, como o impeachment da presidente e a volta da ditadura militar. Certamente, por desinformação ou por impensado radicalismo, esses manifestantes não têm a real noção do que reivindicam. 

A ditadura militar foi um período de 20 anos onde as forças militares governaram o Brasil, na tentativa de impedir o avanço comunista pelo país e pela América do Sul, na época da bipolaridade entre capitalistas, liderados pelos Estados Unidos, e socialistas, liderados pela União Soviética. A vida do cidadão foi sitiada, e vários direitos foram abolidos, como o próprio de direito de falar contra o governo e manifestar publicamente indignação.

Já a deposição da presidente não teria o efeito esperado pelos manifestantes, já que a corrupção não começou com o governo Dilma, e aparentemente não terminará no seu governo. Em seu lugar, quem assumia o governo seria o vice, Michel Temer, e, na sua falta, quem assumiria seria o presidente do Câmara dos deputados, Eduardo Cunha, todos eles já envolvidos em escândalos de corrupção.

O que precisamos não é da deposição da presidente ou da volta ao período ditatorial. O que precisamos é que o povo desperte para o que realmente importa e deve ser investido nesse governo, reforma política, saúde preventiva e gestão competente e transparente, em todas as esferas. Mas principalmente, pelo que precisamos brigar mesmo é por educação de qualidade, formadora de cidadãos críticos, inalienáveis, conhecedores de seus direitos e obrigações, praticantes da boa conduta e da cordialidade a todos. 

Por isso sim, precisamos lutar, e essa luta sim, tem muitas vitórias para alcançar!

sábado, 7 de março de 2015

O sofrimento transforma

Estamos em março e este é o primeiro texto do ano. De janeiro até aqui, muitas coisas aconteceram, fazendo com que o ano começasse de maneira tórrida e desafiadora; nada, porém, que não permitisse que seguíssemos em frente. Tudo o que aconteceu corroborou para um crescimento tanto físico, quanto psíquico e espiritual, e esse crescimento é o que eu tenho buscado ultimamente.

Refletindo sobre as coisas difíceis que acontecem ao nosso redor, e sobre as coisas difíceis que aconteceram comigo também, percebo que cada uma delas teve um propósito, cada uma delas teve um porquê para acontecer.

Todos nós temos dilemas, que podem parecer maiores ou menores, dependendo da capacidade que cada um tem para encarar; todos nós passamos por coisas que não gostamos ou não queremos, desde uma unha quebrada à perda de alguém que amamos muito. Todos nós sofremos... e sofrer, na vida, é inevitável. Talvez esse seja um passo para encarar os acontecimentos ruins sem alagar o quarto com lágrimas a cada noite solitária. Aliás, chorar faz bem, por mais duro que possa parecer. As lágrimas que correm libertam nosso sofrer, que sai de nós e nos deixa livres para vivermos em paz. O que faz mal é não conseguir se reerguer da queda levada. Levantar é necessário e exige muita força de vontade. 

Olhando bem, o sofrimento é como certas doenças, que, uma vez contraídas, nos dão anticorpos para que não as tenhamos mais. De certos males que sofremos uma vez, não sofreremos mais. Mas não são todas as doenças que nos dão anticorpos, assim como nem todos as feridas da nossa alma podem cicatrizar totalmente. O trauma é um dos resultados da dor, este nos faz lembrar dos caminhos nos quais tropeçamos e caímos, e nos faz desviar deles para não cairmos mais. Ele existe para nos proteger e guiar nossos passos, desde que não se torne um problema também.

Com tudo o que observei e passei, aprendi que a melhor maneira - ou uma das melhores - de encarar o sofrimento é pensar no momento em que o sofrimento não existirá mais, e sim os seus frutos de aprendizado, mudança, amadurecimento, que ficarão para sempre. Sei que parece muito fácil falar assim para alguém que está deprimido, que viu seus planos se frustrarem, está sem saber o que fazer ou que rumo tomar. Mas eu digo, por experiência própria, que o sofrimento transforma, o sofrimento nos enleva. Se você sofre hoje, saiba que isso terá resultados amanhã, e eles podem ser os mais proveitosos possíveis. Basta você decidir o que fará com a dor, se vai transformá-la em algo bom para você ou se vai alagar o quarto com lágrimas a cada noite solitária para o resto da vida.