sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Voltar pra casa

O tempo é um grande amigo nosso. Não importa qual tenha sido a impressão que tenhamos quanto a sua passagem, que ele tenha passado rápido, devagar, que ele tenha sido mal aproveitado ou utilizado intensamente. O tempo sempre corre a nosso favor, desde que saibamos como transformar aquilo que ele põe à nossa frente em experiências enriquecedoras.

Nos últimos dias tenho vivido mais uma dessas vivências que têm me ensinado muito, que é estar de volta ao meu lar depois de viver um intercâmbio. Sempre é complexo voltar para o ponto de onde se partiu em busca de um objetivo tão importante da sua vida; existe a sensação de retrocesso, existem marcas, existem lembranças, existem pessoas, existem aprendizados e isso vai estar sempre conosco, em nosso íntimo interior. Mas agora, é preciso aprender o lugar de cada coisa que está dentro de nós e conseguir organizá-las da melhor maneira possível, para o nosso bem e de quem nos ama. 

Tenho ouvido e lido o relato de alguns amigos brasileiros que fiz durante esse período vivendo fora do país e dois sentimentos parecem ser unânimes: tristeza e saudade. É natural. Muito se tem falado sobre a chamada “síndrome do regresso”, um estado psicológico que afeta principalmente estudantes e profissionais que passaram tempo vivendo em outro país. Segundo especialistas, essa síndrome acomete essas pessoas por causa das coisas boas e oportunidades únicas que tiveram ao morar em outro país, quase sempre mais desenvolvido que o país de origem, e agora têm de lidar com a volta à realidade, nem sempre tão boa quanto desejariam.

À beira do Rio Douro, ao fundo, a cidade do Porto
Alguns relatos são até preocupantes. É possível ver uns falando que não conseguem mais sair pelas suas cidades, outros que choram todos os dias e querem voltar o mais rápido possível para a cidade onde estiveram. Há também alguns que tecem diversas críticas ao Brasil e tem total desprezo por qualquer coisa associada ao país.

Essa é uma situação delicada. É realmente difícil voltar para casa depois de ter ido tão longe, superado tantos medos e limitações, ter vencido tantas barreiras, ser tão privilegiado de conhecer culturas diferentes. Eu, particularmente, sempre tive muito claro na minha mente o que eu estava fazendo ali, tive consciência o tempo todo de o intercâmbio era só uma fase na minha vida e que eu teria que voltar para minha cidade, por mais triste que isso fosse. Talvez isso tenha me ajudado a encarar bem a volta para casa.

Outra coisa que também me ajudou muito foi falar com pessoas, contar coisas que aconteceram e que foram importantes para mim, sair um pouco pela minha cidade, que não tem lá tantas coisas para conhecer e aproveitar, mas ainda oferece um ou outro espaço bucólico onde é possível parar, pensar e curtir o momento. Buscar seguir com a vida em frente, olhar para o que de novo pode acontecer nas nossas vidas nesse novo processo.

Um outro fator que esteve a meu favor para lidar de maneira mais tranquila com a volta para casa são as férias forçadas que tenho tirado durante o mês de Setembro. Só volto a ter aulas na minha faculdade em Outubro e esse tempo tem servido para que eu possa estar tranquilo, refletindo sobre o que aconteceu comigo, sobre o que aprendi e o que poso fazer com tudo o que trouxe do intercâmbio.

Eu não quero e nem poderia, aqui, dar alguma solução para um problema que parece supérfluo e fútil, mas é real e afeta muitas pessoas. Comigo mesmo, eu tento sempre olhar para frente e pensar no futuro. Tenho só 22 anos e se Deus permitir, muitas coisas ainda acontecerão na minha vida. Estudar no Porto, em Portugal, foi a primeira delas, uma porta que se abriu e pela qual eu adentrei para ter acesso a uma gama de possibilidades que ainda podem se concretizar. 

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